Audiência pública promovida pela Comissão de Economia da Assembleia Legislativa debateu, na manhã desta segunda-feira (28), a crise na Cooperativa Languiru e suas consequências socioeconômicas. O evento, iniciativa do vice-presidente do Colegiado, deputado Rodrigo Lorenzoni (PL), aconteceu na Casa do Legislativo na Expointer.
Uma das maiores cooperativas gaúchas, com atuação em segmentos como aves e suínos, desde o ano passado enfrenta uma crise econômica atribuída a fatores como o aumento dos custos de produção, sobretudo do milho.
A organização do Vale do Taquari, hoje com cerca de 2 mil associados (em 2022, mais de 5,8 mil), presentes em 188 municípios, faturou R$ 2,76 bilhões em 2022, mas encerrou com prejuízo de R$ 123 milhões.
A situação provoca atraso no pagamento de prestadores de serviços, instituições financeiras e transportadores. Cerca de 50 mil pessoas têm seu sustento ligado à Languiru, direta ou indiretamente.
Em Assembleia Geral realizada em julho deste ano, os associados aprovaram a liquidação extrajudicial da cooperativa e o atual presidente, Paulo Roberto Birck, foi escolhido como liquidante para conduzir o processo.
A assembleia também aprovou que uma auditoria seja contratada para analisar a conduta da gestão anterior à frente da cooperativa.
Na audiência, Birck apresentou o cenário dos problemas enfrentados pela cooperativa: o impacto social que a crise acarreta; a alta do custo dos insumos em geral, como embalagens, condimentos e aditivos; a elevação do custo da logística e do custo financeiro. Segundo ele, o grau de endividamento gira em torno de 12 a 13 milhões de reais por mês.
Birck disse que a nova gestão, a partir de maio de 2023, está construindo um plano de reorganização com foco no curtíssimo prazo e que, ao mesmo tempo, entrou em negociações com instituições financeiras para venda de ativos com o objetivo de gerar caixa para pagamento de credores/produtores e fortalecer a cadeia produtiva de aves e leite.
Entre estes ativos, estão a fábrica de rações, o frigorífico de suínos e bovinos, os postos de combustíveis, lojas, supermercados e farmácias.
Foto: Divulgação Cristal Web Rádio
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