A precariedade no abastecimento de energia elétrica no município permanece como uma antiga ferida aberta, um problema que remonta aos tempos da Vila Cristal, ainda no 7º distrito de Camaquã. Desde o final da década de 1960, quando a primeira rede foi instalada, pouca coisa mudou: alguns poucos postes foram substituídos, enquanto outros seguem literalmente “pendurados” nos fios, simbolizando décadas de descaso.
Ao longo dos anos, não faltaram protestos, reuniões, ofícios e promessas. O que faltou, e continua faltando, foi ação concreta.
Na sessão legislativa mais recente, o vereador Ayrton Thurow (PDT) voltou a tratar do tema e informou ter buscado novamente a Superintendência Técnica da Equatorial, desta vez acompanhado pelo deputado estadual Gerson Burmann (PDT). Em Porto Alegre, apresentaram mais um pedido para que a empresa finalmente encerre o ciclo de improvisos e enfrente o problema estrutural.
Conforme relatado pelo parlamentar, eles foram recebidos pelo assessor do diretor Sérgio Luís Velinho. Na ocasião, ouviram que uma nova rede de abastecimento, com cerca de 20 quilômetros, foi construída há seis anos, mas que ainda restam entre 8 e 9 quilômetros para serem concluídos. “O assessor informou que a obra está projetada, com previsão de início em breve”, descreveu Thurow.
O vereador, porém, fez críticas à estratégia adotada pela empresa. “Não adianta construir extensão de rede se a rede alimentadora continua ultrapassada”, alertou, lembrando que não se resolve um problema estrutural apenas esticando cabos novos sobre uma base antiga e frágil.
Thurow também mencionou outra situação que considera absurda: a da comunidade de Santa Tereza. Apesar de estar praticamente ao lado do Cristal, ela recebe energia da subestação de São Lourenço do Sul, que por sua vez é alimentada pela subestação de Camaquã, um trajeto que chega a 100 quilômetros de distância. “É um exemplo claro de má distribuição e falta de planejamento”, reforçou.
Com décadas de reclamações acumuladas e promessas que não saem do papel, a comunidade aguarda, mais uma vez, que as palavras ditas nas reuniões se convertam em obras reais. Enquanto isso, segue sendo a população quem paga a conta de um sistema que envelheceu e nunca foi devidamente renovado.
Foto:Divulgação Cristal Web Rádio
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