COMBATE A CRIMINALIDADE

Golpistas usavam dados de pecuaristas em esquema de fraude em leilões de gado no Rio Grande do Sul

Por: Ascom | Publicado: 27/08/2025 às 18h48
Golpistas usavam dados de pecuaristas em esquema de fraude em leilões de gado no Rio Grande do Sul Criminosos utilizavam dados roubados de produtores para comprar os animais

A 3ª Delegacia de Polícia de Repressão aos Crimes Rurais e Abigeato (DECRAB) de Camaquã deflagrou, na manhã desta quarta-feira (27), a Operação Lance Falso, voltada ao combate de um esquema criminoso que utilizava fraudes em leilões virtuais de gado vivo em todo o Rio Grande do Sul.

De acordo com a investigação, o grupo usava dados de pecuaristas sem autorização para se cadastrar em plataformas online, arrematar animais e tentar obter a liberação do transporte do gado antes da confirmação do pagamento. A ação contou com apoio de equipes da Polícia Civil de Passo Fundo.

Como funcionava o esquema
Um dos casos investigados ocorreu em março de 2025, quando os criminosos usaram os dados de um produtor rural de Marques de Souza para arrematar 12 cabeças de gado em um leilão online realizado em Canguçu. Apesar da emissão das Guias de Trânsito Animal (GTAs), os documentos foram estornados após a insistência dos golpistas para receber os animais sem efetuar o pagamento. O telefone vinculado à negociação estava registrado em nome de um catador de lixo, sem relação com a compra.
No mês anterior, o mesmo pecuarista já havia tido seus dados utilizados para tentar arrematar 84 bovinos em uma plataforma online.

Outro caso aconteceu em fevereiro de 2025, envolvendo um produtor de Alecrim. Usando informações falsas, os golpistas conseguiram a entrega de 30 cabeças de gado, avaliadas em R$ 83,5 mil, em Soledade, após se passarem por compradores legítimos e utilizarem telefone com DDD 54.

Resultados da operação
Durante o cumprimento de mandados de busca em Passo Fundo, Nicolau Vergueiro e Ibirapuitã, a Polícia Civil apreendeu provas relevantes e identificou dois suspeitos ligados ao esquema. As investigações apontam ainda que um deles utilizava linhas telefônicas de terceiros para realizar lances fraudulentos.

Os envolvidos responderão por crimes como:
Falsidade ideológica (art. 299)
Falsificação de documento particular (art. 298)
Estelionato (art. 171)
Furto mediante fraude (art. 155, §4º, II)
Associação criminosa (art. 288)
Se somadas, as penas podem ultrapassar 25 anos de reclusão.

Impacto no agronegócio
A Polícia Civil reforça que a Operação Lance Falso evidencia a necessidade de vigilância contra crimes que utilizam novas tecnologias para atingir o setor rural. A segurança dos leilões virtuais é essencial para preservar a confiança dos pecuaristas e a integridade do agronegócio gaúcho, considerado um dos motores da economia do Estado.

Foto:Divulgação Cristal Web Rádio 
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