Os temporais e inundações recentes no Rio Grande do Sul foram causados principalmente por uma frente fria estacionária que trouxe chuvas constantes durante o fim de semana.
Na segunda-feira, uma área de baixa pressão na alta atmosfera coincidiu com essa frente fria, levando à formação de um ciclone extratropical. No entanto, o ciclone não foi a causa das chuvas, mas sim uma consequência desse sistema meteorológico.
Os ciclones extratropicais são fenômenos comuns no Oceano Atlântico e se formam devido ao contraste entre massas de ar quente e frio, geralmente na região entre o Rio Grande do Sul e os países vizinhos, Argentina e Uruguai.
Esses ciclones têm a capacidade de capturar umidade da região central de baixa pressão e convertê-la em nuvens, causando chuvas e ventos.
"A causa da chuva foi uma frente fria estacionária, por isso choveu no fim de semana inteiro. Na segunda-feira, coincidiu uma área de baixa pressão na alta atmosfera. Essa combinação derivou na formação de um ciclone extratropical, que rapidamente se encaminhou para o oceano. Ou seja, ele foi a consequência e não a causa da chuva", explicou Marcelo Seluchi, coordenador-geral de operações e modelagem do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), em entrevista à BBC .
Embora não haja dados conclusivos para afirmar com 100% de certeza que as mudanças climáticas estão tornando esses ciclones mais intensos, existe uma preocupação de que o aquecimento global possa estar desempenhando um papel nesse aumento da intensidade.
Estael Sias, meteorologista da empresa MetSul Meteorologia, falou sobre o fenômeno:
"Ele é formado pelo contraste de massas de ar quente e frio. Parte da sua ação é sugar toda a umidade pra essa região do centro de baixa pressão e jogar para a atmosfera, resfriando e transformando a umidade em nuvens. É nesse processo que o fenômeno espalha chuva e vento. Pela minha experiência de 20 anos de previsão de tempo, acredito que esse cenário das mudanças climáticas de alguma forma tem ajudado ou tem auxiliado na formação desses ciclones com características especiais", diz Sias.
Sias acredita que as mudanças climáticas podem estar contribuindo para o surgimento de ciclones extratropicais mais intensos, que podem se formar com mais rapidez e causar impacto maior.