A 3ª Delegacia Especializada na Repressão aos Crimes Rurais e Abigeato (DECRAB) de Camaquã concluiu uma investigação que revelou um esquema fraudulento na movimentação e venda de gado entre municípios do Rio Grande do Sul. A chamada "Operação Señuelo" identificou a prática de "Gado Papel", utilizada para encobrir irregularidades no transporte e abate de bovinos.
As investigações tiveram início em março de 2023, após a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, por meio do Departamento de Defesa Agropecuária, relatar movimentações suspeitas de Lançamentos Compensatórios de Créditos em propriedades rurais de Arroio dos Ratos. Pouco tempo depois, esses mesmos rebanhos eram vendidos para a cidade de Crissiumal, a aproximadamente 600 km de distância, e, em seguida, revendidos para um frigorífico na região metropolitana, percorrendo mais 600 km.
O Lançamento Compensatório de Crédito é um procedimento administrativo exclusivo de médicos veterinários das Inspetorias Veterinárias, utilizado para atualizar o saldo de animais de uma propriedade após vistoria presencial. No entanto, a investigação revelou que um único produtor rural solicitou os lançamentos na Inspetoria Veterinária de São Jerônimo, e não na unidade responsável por sua propriedade, em Arroio dos Ratos.
Uma auditoria da Secretaria de Agricultura comprovou que os lançamentos foram efetuados por um funcionário de cargo de confiança, sem a devida qualificação veterinária e sem seguir os trâmites legais. Ele realizou as atualizações de saldo sem vistoriar os rebanhos e sem a solicitação formal do produtor, que só ocorreu após a descoberta das irregularidades. Como consequência, o funcionário foi exonerado do cargo.
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Durante o depoimento, o produtor rural de Arroio dos Ratos admitiu ter solicitado a atualização de rebanho, mas afirmou não se lembrar para quem vendeu os animais. Já um produtor de Crissiumal revelou que foi abordado por um corretor rural, que ofereceu pagamento de R$ 100 por cabeça de gado para que emprestasse seu talão de produtor. Ele aceitou a proposta e também utilizou as fichas de seu pai e cunhado, mas admitiu que nenhum animal de fato chegou às suas propriedades. Reinquirido sobre as contradições, o produtor de Arroio dos Ratos optou por permanecer em silêncio e se manifestar apenas em juízo.
A investigação concluiu que as movimentações entre Arroio dos Ratos e Crissiumal eram simuladas para criar um saldo fictício nas propriedades, evitando suspeitas da fiscalização. Na prática, a fraude servia para legalizar rebanhos oriundos de abigeato ou contrabando, que posteriormente eram encaminhados para abate em frigoríficos.
O inquérito policial foi finalizado e remetido à Justiça. Os envolvidos foram indiciados pelos crimes de corrupção passiva, inserção de dados falsos em sistema de informação e falsidade ideológica. A Operação Señuelo reforça a importância do monitoramento rigoroso no setor agropecuário para coibir fraudes e garantir a procedência legal do gado comercializado no estado.
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Foto:Divulgação Cristal Web Rádio
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FRAUDE NA PECUÁRIA