Nas publicações anteriores procurei trazer temas para a reflexão que evidenciam aspectos importantes da nossa compreensão de “ser no mundo”. Para usar uma expressão da filosofia, falamos em “Devir”, que significa o processo de “vir-a-ser”, ou seja, é o processo de mudança, de adaptação, de desenvolvimento. Não estamos sozinhos no mundo, mas em constante relação com as pessoas e nesta relação é que descobrimos o que realmente somos. Eu me conheço a partir do outro.
Ao pensarmos o nosso desenvolvimento como pessoas no mundo, proponho a ideia da engenharia do desenvolvimento como sendo este processo de construção interior e de reconhecimento das limitações e potencialidades que trazemos. Seguindo nesta lógica, iniciei um caminho a partir dos seguintes temas: gerenciar a própria vida, visão sistêmica, cultura líquida e agora este: engenharia do desenvolvimento.
A ideia mais acessível para engenharia talvez seja a de projeto, de construção, de obra. Mas a engenharia engloba a criação, o aperfeiçoamento, a implementação de estruturas, a modelagem, a inovação, etc. O que quero dizer é que eu e você vivemos um processo contínuo de identificação do que somos e de descobrir o que está latente dentro de nós para produzir para o mundo algo que somente nós mesmos, individualmente, podemos dar.
Neste sentido, eu e você somos um “ser no mundo” com um objetivo: “ser para o mundo”. Isto, significa que o mundo espera algo de nós. E neste processo de dar, de entregar, lançamos as bases, os fundamentos para a partir daí construirmos uma visão, um ideal ou uma missão. O que você foi ou o que você é, ou ainda, o que pretende ser? Como se vê diante do mundo? Das pessoas? Você acredita que já cumpriu o que a vida espera de você? Você acredita que já alcançou as aspirações mais altas que seu coração deseja? Ou você acha que nada há de relevante em sua vida?
Ao pensarmos a engenharia do desenvolvimento humano percebemos que somos únicos no mundo. Desde o primeiro instante de nossa geração uterina recebemos caracteres físicos, psíquicos e espirituais que nos tornam tão diferentes uns dos outros e ao mesmo tempo iguais na condição de ser humano completo. O interessante é que cada um em suas particularidades contribui para o crescimento do outro e para a construção do mundo no qual vive. Existe uma solidariedade coletiva da natureza humana que nos torna responsáveis pelo mundo e por isso, precisamos encontrar o nosso “lugar” no mundo. Encontrar o lugar significa descobrir o propósito, o que lhe motiva, o que lhe impulsiona a ser quem você é. Pensar a existência como uma construção, como uma modelagem, um processo criativo nos faz vermos que nunca estamos completamente prontos. Não somos uma obra acabada que não necessita de mais nenhum detalhe. Ao contrário, sempre descobrimos que algo em nós pode ser aperfeiçoado, completado e que nossa atitude pode complementar o que falta ao outro.
Sandro Dias
*Escrito em 26/08/22
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